Resumo: Psicoterapia Junguiana e Pesquisa Contemporânea com Crianças



Complexos de Tonalidade Afetiva

- Instintos x Sistemas Motivacionais

Freud - os seres humanos são regidos internamente por dois instintos: sexualidade e agressão.

Jung - há no ser humano energia psíquica em intensidade particular à disposição da consciência.

Os sistemas motivacionais podem ser pensadas como estruturas organizadoras do comportamento e do afeto humano. Assim como, para os junguianos, os arquétipos são estruturas organizadoras da vida psíquica.

Lichtenberg - os sistemas motivacionais são mecanismos inatos básicos de sobrevivência: regulação psíquica de necessidade fisiológica, necessidade de apego, necessidade de exploração e afirmação, necessidade de reação aversiva ou afastamento, e necessidade de prazer sensual.

- Agressão

Impulso baseado na motivação para explorar e se afirmar no mundo;  impulsos de destruição exercido em larga escala. S.Freud, M.Klein e K.Lorenz ponderam que a agressão é instinto inato à espécie humana. Pesquisadores de crianças afirmam a hipótese da frustração-agressão: a motivação para agressão é destrutiva apenas quando se depara com reações negativas do ambiente, e então o homem se torna o lobo do homem: com propensão inata para devorar e matar.

"Quando uma criança se sente impotente e oprimida, a agressão reprimida pode se transformar em fúria e pode posteriormente irromper de forma destrutiva na forma da chamada fúria narcísica, como Kohut a denominou em 1972." (pág.75)

- Afetos

As motivações emergem em diversas intensidades graduadas por afetos correlatos. Darwin em suas pesquisas evolucionista diferenciou variedade de afetos inatos, os chamados afetos categóricos. Tais afetos tem expressão fisiológica, padrões reativos associados ao sistema nervosos autônomo e movimentos musculares. Os afetos podem ser isolados por categorias prazer e desprazer mas há os que não são polarizáveis.

Tomkins (1962/63) - descreve nove afetos categóricos inatos: aflição, raiva, alegria, surpresa, nojo, desprezo, medo, vergonha e interesse. Alguns destes requerem período de maturação que antecede a expressão do afeto propriamente. Desempenham efeito biológico nos distúrbios e problemas psicossomáticos.

Lichtenberg (1989) pontua que o reforço psíquico de determinados afetos é operado por meio da repetição de determinadas experiências de vida. Neste sentido, os afetos desprazerosos reforçam o sistema motivacional aversivo. Há ação reguladora no sistema de afetos posto que prazer em excesso gera seu oposto: o nojo; o anseio por apego produz vergonha e indica necessidade de autonomia; assim como, a necessidade de autoafirmação pode produzir temores.

" A satisfação ou rejeição de nossas necessidades de apego, de afiliação ou de contato sexual farão, é claro, emergir em nós diferentes respostas afetivas." (pág.81)

Stern - Afetos de vitalidade: afetos básicos se manifestam na dimensão do tempo, ou seja, são de expressão súbita ou paulatina. Podem ser expressar com nuance crescente ou decrescente. Na interação com a mãe, a criança acessa o que a mãe faz [ato] e como ela faz [temperamento]. A vivência pela mãe do arquétipo materno, junto ao bebê, dá forma à seu estilo de vida e expressão disposições emocionais básicas. Há interação do predisposto no bebê com o que provém da mãe resultando na sintonia ou dissonância afetiva entre ambos - eis a dimensão dos afetos de vitalidade. A discrepância nesta relação pode ser a base do desenvolvimento do sentimento de não pertencer ou de não ser aceita, bem como podem ser, também, a origem da distorção entre projeção no outro e percepção do real.

Fonte: JACOBY, Mario. Psicoterapia Junguiana e pesquisa contemporânea com crianças: padrões básicos de intercâmbio emocional. São Paulo: Paulus, 2010. [pág. 71-83].

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