Resumo: Psicoterapia Junguiana e pesquisa contemporânea com crianças (Mario Jacoby)

Psicoterapia Junguiana e pesquisa contemporânea com crianças: padrões básicos de intercâmbio emocional




Criança reconstruída
- Psicanálise primeva: o desvelamento de um novo território da psique por S. Freud

Os conflitos pulsionais como base da vida psíquica. Primeira tópica: conflitos entre pulsão sexual e ego. Segunda tópica: conflito entre libido sexual e agressão (Eros e Thanatos).  O desenvolvimento da infância é o desdobramento do destino da pulsão: experiencia-se o domínio autoerótico, oral, anal e genital. A criança é um ser de pulsões com objetivo determinista de liberar tensões. Os mecanismos de defesa são consequentes a tal determinismo.
Os pais são objetos de gratificação e de frustração pulsional, o conflito neste fluxo irrompem na repressão. As questões sociais e culturais elevadas derivam das pulsões originais, o processo de sublimação torna o homem civilizado. O conteúdo dos conflitos reprimidos são retomamos na forma de sintomas neuróticos.
- Relações Objetais: M. Klein
Desde o primórdio de vida, a criança experiencia uma representação de objetos parciais como fantasias inatas, de constituição genética e expressão que independe das experiências individuais do bebê.  
Fordham (1989) é um dos junguianos que dialoga com Klein propondo aproximações entre a fantasia inconsciente e a hipótese dos arquétipos: representações inatas base das demais representações e imagens mentais.
- Relações Objetais: Winnicott
A mãe é importante cuidadora com função de holding e espelhamento da existência para o filho. Nesta interação desenvolve-se o verdadeiro self (espontâneo e imediato) e o falso self (ajustes as expectativas do ambiente escondendo as expressões diretas do verdadeiro self).
- Relações Objetais: M. Balint
Desde seu primeiro segundo de contato social, o recém nascido exerce o amor primário: é orientado   em direção ao objeto de afeto constituindo a unidade mãe-criança. A relação objetal é de natureza passiva, o bebê é cruidado sem que dele se exija qualquer retribuição.
- Psicologia do Ego
S.Freud: Terceira tópica: metapsicologia. O Eu (Ego) se desenvolve no conflito entre o Isso (Id) e as demandas da realidade. O Eu tem como função, ocupado com a representação de realidade, assegurar o controle das pulsões.
Ana Freud (1973) se dedicou a  análise dos mecanismos de defesa do Ego.
H. Hartmann (1950): o desenvolvimento do Ego deriva do princípio inerente de organização. Introduz o conceito de self como autorrepresentação (a visão que tenho de mim mesmo).
Criança Observada
- René Spitz
Em sua pesquisa descobriu que privação no cuidado emocional durante os primeiros anos leva a sérias perturbações: depressão infantil manifesta em vômitos, distúrbios intestinais, insônia e passividade generalizada. Articulou princípios organizadores do inconsciente operando na psique: há nas crianças a função sentimento coenestético (impressão global com uso de sensações corporais).
Neumann  (1973) é o analista junguiano que dialoga com R. Spitz acerca dos danos precoces e constitui uma descrição dos distúrbios relacionais primevos:.
- M. Mahler
A teoria impacta no entendimento da experiência subjetiva da criança observada.
Mahler definiu três fases de desenvolvimento: autística, simbiótica e fase separação-individuação. Nas primeiras semanas de vida há, na criança, um estado de desorientação alucinatória primitiva. A criança é incapaz de diferenciar-se de seu cuidador. No segundo mês de vida há uma vaga consciência de diferenciação e inicio da fase simbiótica: a satisfação de tais demandas determina o desenvolvimento do bebê cujas perturbações resultam em psicose ou regressão à fase autística. Por volta de quatro a cinco meses inicia a fase de separação e dos processos de individuação. Aos dezoito meses podemos considerar que há prontidão para que a criança perceba sua separabilidade da mãe. Neste momento, a ausência da mãe desencadeia inquietação e defesas precoces contra sentimentos de tristeza. A constância de objeto é indispensável para a saúde emocional e consolida a autonomia na criança.
Obs: Defeitos Estruturais (ansiedade intensa, baixa estima, sentir-se deprimido ou chateado): perturbações enraizadas na etapa separação-individuação da primeira infância.
Processo de Individuação: Mahler e os junguianos
Mahler define individuação como desenvolvimento, alcançado em meados dos quatro anos de idade, do senso de autoidentidade; decorre da internalização de funções exercidas inicialmente pelos cuidadores na relação com a criança.
Jung define o processo de individuação como sendo de diferenciação e desenvolvimento da personalidade em estado original de identidade na segunda metade da vida (cujo ego tende a estar relativamente estável e flexível). Para os junguianos, consiste na experienciação de conteúdos inconscientes projetados no mundo externo como próprios ao si mesmo.

"(...) se as funções do ego não houvessem sido dispostas já como potenciais no bebê, ela não poderia    desenvolvê-las ou encontrá-las disponíveis em determinada idade.  (...) essas funções do ego são delegadas inicialmente ainda desamparado e inconsciente ao cuidador. (...) Todo processo depende, em todo caso, da interação entre a prontidão arquetípica e um ambiente facilitador." (pág.60)

Fonte: JACOBY, Mario. Psicoterapia Junguiana e pesquisa contemporânea com crianças: padrões básicos de intercâmbio emocional. São Paulo: Paulus, 2010.

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